A 6-nitrodopamina (6-ND) vem sendo reconhecida como um mediador catecolaminérgico endógeno de origem predominantemente endotelial, com implicações amplas para a fisiologia cardiovascular e reprodutiva. Esta revisão reuniu e analisou criticamente evidências experimentais e analíticas sobre a 6-ND, a partir de buscas em PubMed e SciELO com o descritor “6-nitrodopamine”, sem restrição de idioma ou data. Os estudos indicam que a 6-ND é gerada por vias dependentes de óxido nítrico no endotélio e liberada em condições basais, sendo detectada por LC-MS/MS em diferentes espécies e tecidos, inclusive humanos. Funcionalmente, no coração a 6-ND exibe potência cronotrópica e inotrópica elevada, com respostas predominantemente mediadas por receptores β1 e sem participação neurogênica. Na vasculatura, atua como antagonista seletivo D2-like, deslocando curvas de dopamina e promovendo relaxamento robusto; notavelmente, embora o NO seja necessário para a sua geração, o efeito relaxante final não requer sinalização contínua por NO. Em tecidos reprodutivos, modula a contratilidade do vas deferens e promove relaxamento em corpo cavernoso. As evidências convergem para um paradigma catecolaminérgico endotelial autócrino/parácrino, com potencial translacional como biomarcador e alvo terapêutico em condições com disfunção endotelial. Lacunas incluem a confirmação in vivo em humanos da correlação entre níveis teciduais/plasmáticos de 6-ND e desfechos hemodinâmicos, e a identificação molecular de seus alvos efetores no miocárdio.