Objetivos: O eixo intestino-cérebro representa uma via de comunicação bidirecional fundamental entre a microbiota intestinal e o sistema nervoso central. Esta revisão sistemática tem como objetivo sintetizar as evidências de estudos primários publicados na última década sobre a associação entre disbiose intestinal e transtornos psiquiátricos em adultos, visando fundamentar o desenvolvimento de intervenções terapêuticas direcionadas Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática seguindo as diretrizes PRISMA. A busca foi conduzida nas bases PubMed, SciELO e Science Direct por estudos primários (ensaios clínicos, coortes, caso-controle) publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas inglês, português e alemão. Foram incluídos estudos com adultos (18–60 anos) diagnosticados com transtornos psiquiátricos conforme o DSM-5, que avaliaram a microbiota intestinal ou intervenções com probióticos/psicobióticos. Resultados: Os achados demonstram uma associação consistente entre perfis específicos de disbiose intestinal (e.g., redução de Faecalibacterium e Bifidobacterium, aumento de Enterobacteriaceae) e a presença e gravidade de transtornos como depressão maior, ansiedade e esquizofrenia. Ensaios clínicos com probióticos, particularmente cepas de Lactobacillus e Bifidobacterium, mostraram eficácia significativa na redução de sintomas psiquiátricos. Conclusão: A disbiose intestinal configura-se como um fator fisiopatológico modificável e central no eixo intestino-cérebro. As evidências de estudos primários reforçam o potencial da modulação da microbiota como estratégia coadjuvante no manejo de transtornos psiquiátricos. A padronização de métodos e a realização de ensaios clínicos de largo porte são imperativas para a tradução desses achados em protocolos clínicos robustos.