Introdução: A idade biológica tem emergido como marcador complementar à idade cronológica no estudo do envelhecimento, sobretudo em pessoas idosas com doença renal crônica (DRC), nas quais inflamação crônica de baixo grau e comorbidades impactam a função renal e o prognóstico. Objetivo: Avaliar se a idade biológica, estimada por biomarcadores laboratoriais, refina a taxa de filtração glomerular e auxilia na individualização do cuidado em pessoas idosas com DRC, quando aplicada às equações MDRD e CKD-EPI. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo, observacional e analítico, realizado com 35 pessoas idosas com DRC estágio 5 acompanhados em serviço terciário de nefrologia entre 2022 e 2025. A idade biológica foi estimada por calculadora baseada em nove biomarcadores laboratoriais. A TFGe foi calculada pelas equações MDRD e CKD-EPI utilizando idade cronológica e idade biológica. Realizaram-se comparações pareadas, correlações e regressão linear entre idade biológica, TFGe e exames laboratoriais. Resultados: Todos os participantes apresentaram envelhecimento biológico acentuado. O uso da idade biológica reduziu a TFGe modestamente, sem modificar o estadiamento global pelo KDIGO, mas evidenciando maior heterogeneidade da TFGe dentro de um mesmo estágio. A equação MDRD forneceu valores sistematicamente superiores aos da CKD-EPI. Conclusão: A idade biológica acrescenta informação prognóstica relevante à TFGe em pessoas idosas com DRC avançada e pode auxiliar na individualização do cuidado dentro de um mesmo estágio do KDIGO. Os achados sugerem a necessidade de novas calculadoras de função renal que integrem biomarcadores de envelhecimento biológico e para estudos futuros em populações latino-americanas maiores, incluindo estágios mais precoces de DRC.