O presente estudo teórico tem como objetivo verificar o que leva a mulher a desejar a maternidade a partir da lógica da constituição de sujeito para a psicanálise, especificamente em Freud e Lacan. Para alcançar o objetivo proposto apresenta de forma sucinta alguns conceitos freudianos acerca da feminilidade e parte do avanço que Lacan realizou a partir da obra de Freud através dos autores contemporâneos que se debruçam sobre a teoria lacaniana. O trabalho se constitui de dois principais capítulos e um terceiro capítulo que traz a conclusão acerca do lugar da maternidade na vida da mulher. No primeiro capítulo é apresentado brevemente o contexto histórico da maternidade no Ocidente, desde a antiguidade até a contemporaneidade, com o intuito de ter uma visão sobre a maternidade nos diferentes momentos. No segundo capítulo busca-se averiguar a perspectiva da psicanálise sobre a feminilidade, tanto no que se refere à obra de Freud quanto à de Lacan. Freud entende a maternidade como uma solução fálica para o Complexo de castração, visto que o filho é o objeto fálico equivalente ao órgão masculino. Lacan, não delimitou apenas a lógica fálica, ele também se propôs a pensar sobre a lógica não-toda. Através dessa outra lógica há a perspectiva do Outro gozo, complementar ao gozo fálico, representando a posição feminina que diverge a posição histérica, em que a única forma de gozo é sendo o falo para o Outro ou sendo mãe, ou seja, ter um filho que equivale ao substituto fálico. Essa modalidade de gozo – a saber o Outro gozo - fez Lacan afirmar que toda mulher é não toda, ou seja, não toda direcionada pelo gozo fálico e, portanto, A Mulher não existe. O último capítulo apresenta o lugar da maternidade na vida da mulher referido na lógica fálica de Freud e a lógica não-toda de Lacan. A maternidade se diverge, nas duas concepções, pautada na busca pela equivalência do objeto fálico em Freud e na possibilidade de dois gozos concedidos à mulher em Lacan.