Este trabalho analisa como a vulnerabilidade socioeconômica e a dependência financeira dificultam o rompimento do ciclo de violência doméstica contra a mulher no Brasil. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa e método dedutivo. Inicialmente, o estudo discute a construção histórica do patriarcado e da desigualdade de gênero, concluindo que a submissão feminina foi estruturada ao longo dos séculos pela divisão desigual do trabalho e por limitações jurídicas que mantiveram a mulher dependente do homem. Em seguida, aborda-se a evolução da violência doméstica no ordenamento jurídico brasileiro, destacando os avanços da Constituição de 1988 e os mecanismos de proteção da Lei Maria da Penha. Posteriormente, analisa-se a vulnerabilidade socioeconômica como um fator multidimensional, evidenciando que a baixa renda, a baixa escolaridade e o controle patrimonial enfraquecem a autonomia da vítima e a mantêm presa ao ciclo da violência. Por fim, examinam-se os desafios das políticas públicas e a omissão do Estado diante de atendimentos precários e da falta de estrutura de acolhimento. O trabalho conclui que a violência doméstica é um problema estrutural e que sua superação depende não apenas da punição, mas de ações estatais efetivas que garantam a independência financeira e a dignidade material da mulher.