Fundamento: O remodelamento cardíaco após infarto agudo do miocárdio (IAM) está intimamente associado a prognóstico clínico. Estratégias terapêuticas que atuam precocemente nesse processo podem modificar desfechos cardiovasculares. Objetivos: Avaliar os efeitos dos inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2) no remodelamento ventricular esquerdo em pacientes após IAM.Métodos: Trata-se de uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados identificados nas bases PubMed, Cochrane Library, SciElo e Science Direct. Foram incluídos estudos que compararam iSGLT2 versus placebo em pacientes após IAM. Os desfechos incluíram fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), volume diastólico final do VE (VDFVE) e massa ventricular esquerda. A significância estatística foi definida como p<0,05. A metanálise foi realizada utilizando o RevMan Web da colaboração Cochrane. Resultados: Foram incluídos nove estudos randomizados, totalizando 14.769 pacientes, dos quais 8.610 (58,3%) receberam iSGLT2 e 6.159(41,7%) compuseram o grupo controle. A FEVE foi avaliada em seis estudos (n = 14.259), com melhora significativa no grupo iSGLT2 (diferença média [DM] +2,34%; IC95% 1,87–2,81; p < 0,0001; I² = 20%). Quatro estudos (n = 675) relataram redução da massa ventricular esquerda (DM –3,01 g; IC95% –4,78 a –1,24; p = 0,0008; I² = 0%). O volume do VE foi analisado em quatro estudos (n = 328), com diminuição significativa nos tratados com iSGLT2 (DM –8,82 mL; IC95% –16,34 a –1,31; p = 0,02; I² = 0%).Conclusões: Os iSGLT2 promovem melhora da função sistólica e do remodelamento cardíaco precoce em pacientes após IAM, sugerindo benefício estrutural além do controle glicêmico.