A vacina contra a gripe (influenza) é essencial para a saúde pública, pois previne complicações graves causadas pelo vírus. A doença, altamente contagiosa, pode variar de casos leves a severos, resultando até em hospitalizações e mortes. Durante a pandemia de COVID-19, a importância das vacinas ganhou destaque, assim como debates sobre sua segurança. Nesse contexto, torna-se relevante avaliar o comportamento da população diante da vacinação contra a gripe. O presente estudo teve como objetivo analisar os impactos e as perspectivas da vacinação contra a influenza no Brasil, comparando os períodos pré e pós-pandemia de COVID-19. Foram utilizados dados secundários provenientes do DATASUS e do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), sendo aplicado o modelo estatístico ARIMA (AutoRegressive Integrated Moving Average) para avaliar a tendência temporal das taxas de cobertura vacinal entre 2016 e 2024, com foco nas regiões e nos grupos prioritários: crianças, gestantes e idosos. Os resultados demonstraram uma queda significativa na adesão vacinal a partir de 2021, coincidindo com o período de maior impacto da pandemia. Antes da COVID-19, as coberturas médias ultrapassavam 90%, revelando elevada adesão populacional. Após o início da pandemia, os índices caíram para valores entre 55% e 70%, mantendo-se reduzidos até 2024 no Brasil. O grupo de idosos, historicamente mais aderente, apresentou a maior queda, seguida de recuperação parcial; as crianças mostraram tendência de retomada gradual; e as gestantes apresentaram oscilações mais acentuadas e baixa estabilidade. O modelo ARIMA projetou estabilização em níveis inferiores a 60% até 2026, caso não sejam implementadas novas estratégias. Conclui-se que a pandemia representou um marco de inflexão na imunização nacional, ressaltando a necessidade de políticas públicas voltadas à comunicação em saúde, fortalecimento da confiança da população e ampliação do acesso aos serviços de vacinação para restaurar os níveis históricos de cobertura vacinal e prevenir surtos de influenza e outras doenças imunopreveníveis.