A crescente inserção das crianças em ambientes digitais tem levantado preocupações sobre os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento cognitivo infantil. Este estudo teve como objetivo geral investigar a associação entre a exposição exacerbada às telas e os aspectos cognitivos de crianças de zero a dez anos. Especificamente, buscou-se compreender de que forma o tempo de exposição, o tipo de conteúdo e o contexto de uso dos dispositivos influenciam domínios como linguagem, atenção, memória e funções executivas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), abrangendo artigos publicados entre 2015 e 2025, em inglês, português e espanhol com descritores DeCS combinados por OR e AND. Foram incluídos estudos clínicos e observacionais que avaliaram o desenvolvimento cognitivo em crianças expostas a diferentes dispositivos digitais, considerando critérios como tempo médio de tela, tipo de exposição (ativa ou passiva), variáveis socioeconômicas e presença de deficiências sensoriais. Os resultados evidenciaram que quatro dos cinco estudos apontam uma associação negativa entre o uso exacerbado de telas e o desenvolvimento cognitivo, especialmente no que se refere a atrasos de linguagem, dificuldades atencionais e prejuízos em funções executivas. Destaca-se que cada hora adicional de tela foi associada a um risco de 37% de atraso linguístico e que a ausência de supervisão parental potencializou os efeitos prejudiciais. Por outro lado, conteúdos educativos mediados por adultos mostraram impacto menos nocivo e até efeitos positivos sobre vocabulário e alfabetização. A análise também revelou limitações metodológicas importantes, como a homogeneidade socioeconômica das amostras e a falta de controle sistemático para deficiências sensoriais, fatores que podem influenciar os resultados. Conclui-se que o tempo de tela, quando excessivo e sem supervisão, representa um fator de risco modificável para o desenvolvimento cognitivo infantil.