Este estudo descritivo, transversal e retrospectivo teve como objetivo identificar a prevalência de lesões pré-cancerígenas do colo do útero em Garanhuns, Pernambuco, e analisar os fatores sociodemográficos associados à realização ou não do exame de citologia oncótica. Foram utilizados dados do SISCAN, referentes ao período de 2020 a 2024, considerando apenas exames satisfatórios e classificados
com os códigos N87 e N89 da CID-10. A maioria dos casos foi observada em mulheres
entre 20 e 39 anos, sendo a Lesão Intraepitelial de Alto Grau a mais prevalente (41,1%). Mulheres pardas e de raça amarela apresentaram maior frequência de lesões, sugerindo desigualdades no acesso ao rastreamento. Embora a maioria das
pacientes já tivesse realizado exames prévios (85,4%), a realização de exames por
repetição ou seguimento foi inferior a 4%, evidenciando falhas no acompanhamento. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer as estratégias de detecção precoce, ampliar a vacinação contra o HPV e aprimorar os sistemas de informação em saúde. A promoção de campanhas educativas culturalmente sensíveis e a implementação de políticas públicas equitativas são essenciais para reduzir a incidência e mortalidade pelo câncer do colo do útero.