Introdução: O uso de cigarros eletrônicos (e-cigarettes) e dispositivos de vaping cresceu de forma exponencial na última década, sendo frequentemente promovidos como alternativas menos nocivas ao tabagismo convencional. No entanto, evidências crescentes sugerem que tais produtos podem estar associados a inflamação das vias aéreas, disfunção pulmonar e ao surgimento de condições como pneumonia, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), câncer de pulmão e lesões pulmonares relacionadas ao vaping (EVALI). Dessa forma, torna-se essencial avaliar sistematicamente os impactos do vaping sobre a saúde pulmonar em humanos. Métodos: Realizou-se uma busca sistemática na base PubMed para identificar artigos publicados entre 2017 e 2025, utilizando os descritores “cigarettes or vaping and pneumonia”, “cigarettes or vaping and lung”, “cigarettes or vaping and asthma or COPD”, “cigarettes or vaping and lung cancer” e “cigarettes or vaping and EVALI”. A seleção seguiu as recomendações PRISMA, contemplando estudos originais em humanos (ensaios clínicos randomizados e não randomizados, coortes, caso-controle e séries de casos) que avaliaram desfechos pulmonares. Foram excluídos estudos em animais, pesquisas in vitro, revisões, meta-análises, editoriais, protocolos, pré-prints não revisados e trabalhos que não reportassem desfechos clínicos respiratórios. A extração de dados considerou autor, ano, características populacionais, tipo e frequência de exposição, comparadores, tempo de seguimento e desfechos pulmonares relatados. Resultados: Dos estudos incluídos, observou-se que a exposição ao cigarro eletrônico pode induzir inflamação das vias aéreas, aumento de marcadores séricos de lesão epitelial, alterações na depuração mucociliar e na perfusão pulmonar, além de sintomas respiratórios agudos e subagudos. Casos clínicos e séries de casos descreveram quadros graves respiratórios, enquanto ensaios clínicos controlados mostraram desde efeitos discretos sobre parâmetros espirométricos até associação com piora de resistência de vias aéreas em asmáticos. Ainda que alguns estudos apontem potencial redução de exposição a carcinógenos em comparação ao cigarro convencional, os achados em humanos sugerem que o vaping não é isento de riscos pulmonares e pode contribuir para o desenvolvimento de afecções respiratórias. Conclusão: Em conjunto, os resultados indicam que o uso de cigarros eletrônicos está associado a alterações inflamatórias e funcionais no sistema respiratório humano, podendo predispor a condições como pneumonia, asma, DPOC e câncer de pulmão. Embora o vaping possa representar redução de danos em relação ao tabagismo convencional, a evidência atual não permite classificá-lo como seguro para a saúde pulmonar. Estudos longitudinais e de maior robustez metodológica são necessários para esclarecer seus efeitos a longo prazo.