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Afya Itaperuna

AUTÓPSIA PSICOLÓGICA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

AUTOR(ES)

Brenda dos Santos Rosa Faria

ORIENTADOR(ES)

Sérgio Gomes da Silva

CURSO

Medicina

CATEGORIA

TCC

ANO

2025

DATA DE PUBLICAÇÃO

October 29, 2025

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Resumo

A autópsia psicológica (AP) constitui um método retrospectivo destinado à reconstrução do funcionamento psicossocial e do estado mental de indivíduos falecidos, sendo amplamente utilizada em investigações de suicídio e em contextos periciais. Este estudo teve como objetivo sintetizar, nos últimos cinco anos, o conhecimento disponível sobre o conceito, a aplicabilidade clínico-forense e o desenvolvimento metodológico da AP, com ênfase em instrumentos, limitações e recomendações. Realizou-se uma revisão sistemática com relato compatível com PRISMA, mediante busca exclusiva na base PubMed/MEDLINE entre 10 de outubro de 2020 e 10 de outubro de 2025, empregando o descritor “psychological autopsy” e sinônimos. Foram incluídos estudos que definissem, aplicassem ou avaliassem a AP, contemplando revisões, metanálises, pesquisas observacionais e validações de instrumentos. Excluíram-se artigos sem componente de AP, autópsia verbal, estudos com animais, editoriais e publicações fora do período investigado. A triagem foi documentada integralmente em planilha contendo decisão e motivo. A busca identificou 239 registros, dos quais 118 atenderam aos critérios de elegibilidade; dentre estes, 25 estudos foram priorizados devido à robustez metodológica e pertinência forense. De modo convergente, as evidências mostraram elevada prevalência de transtornos mentais, tentativas de suicídio e eventos estressores recentes entre os indivíduos avaliados. A impulsividade emergiu como variável fortemente associada ao suicídio fatal, enquanto sinais de alerta em adolescentes se mostraram frequentemente pouco reconhecidos. Estudos com abordagens longitudinais sugeriram que a construção de trajetórias (life-chart) é útil para rastrear a evolução cumulativa do risco. Em contextos de morte de causa indeterminada, a AP contribuiu para aprimorar a inferência do manner of death, especialmente quando sustentada por triangulação de fontes (entrevistas com informantes, prontuários e dados periciais) e por protocolos estruturados. Entre os instrumentos disponíveis, o UTH-PAIS apresentou boa confiabilidade interavaliadores, auxiliando na padronização dos domínios avaliados. Em síntese, apesar da persistência de limitações — tais como heterogeneidade metodológica, vieses de informantes e inconsistências no detalhamento dos procedimentos —, a literatura recente reforça que a AP permanece uma ferramenta relevante no apoio à prática clínica e forense. A adoção de instrumentos padronizados, o treinamento sistemático de avaliadores, a documentação transparente e a integração da AP às rotinas assistenciais e periciais constituem medidas essenciais para elevar sua validade, reprodutibilidade e utilidade. A especial atenção a populações vulneráveis, sobretudo adolescentes, bem como o uso de abordagens analíticas centradas em trajetórias de risco, pode ampliar o potencial preventivo e investigativo desse método.

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