O delirium é uma condição neuropsiquiátrica frequente em pacientes hospitalizados em unidades de terapia intensiva, caracterizada por alterações repentinas na consciência e na cognição, o que está relacionado a uma maior taxa de morbidade e mortalidade, além de um aumento no tempo de internação. Embora fatores clínicos como idade avançada, comorbidades e uso de sedativos sejam bem conhecidos, ainda existem lacunas na compreensão do impacto de elementos socioeconômicos, como o nível de escolaridade, que podem afetar a vulnerabilidade através da reserva cognitiva. A questão central que está sendo investigada é: como o nível educacional afeta a incidência, os fatores relacionados e os resultados clínicos do delirium em pacientes nas UTIs? O propósito desta revisão sistemática da literatura é investigar a relação entre o delirium em pacientes acolhidos em UTIs e o nível educacional, buscando determinar se a escolaridade serve como um fator de risco ou um fator protetor para o seu surgimento e resultados. A pesquisa foi realizada seguindo as diretrizes do PRISMA, utilizando a base de dados PubMed/MEDLINE com os termos “Delirium” E “Unidades de Terapia Intensiva” E “Status Educacional”, sem restrições iniciais de período, e incluindo artigos em inglês, português e espanhol. Foram encontrados 32 artigos; após o processo de triagem, 6 foram analisados na íntegra, dos quais 4 foram selecionados, com 1.284 participantes (predominantemente idosos de diversas situações hospitalares de Portugal, EUA, China e Turquia). Os principais achados indicaram que a baixa escolaridade ou a alfabetização insuficiente foi um fator de risco independente para o delirium em três pesquisas (com odds ratios variando entre 0,76 e 0,91 para cada ano adicional de estudo), corroborando a ideia de que uma educação mais elevada oferece uma proteção através da reserva cognitiva. Um estudo não encontrou uma relação significativa, possivelmente devido a falhas metodológicas. Esses resultados ressaltam a necessidade de uma estratificação de risco adaptada nas UTIs, embora a diversidade e a quantidade reduzida de estudos dificultem a generalização das conclusões.