O escape ácido noturno (EAN) é caracterizado pela persistência de sintomas gastroesofágicos durante a noite, mesmo em pacientes tratados com inibidores de bomba de prótons (IBPs). Essa condição pode levar a complicações graves, incluindo esofagite erosiva, úlceras pépticas, e até mesmo a progressão para adenocarcinoma de esôfago. Neste contexto, os bloqueadores ácidos competitivos de potássio (BACPs) surgem como uma nova proposta terapêutica, oferecendo uma inibição mais sustentada da secreção ácida ao bloquear competitivamente o canal de potássio necessário para a ativação da bomba de prótons. Esta revisão se propõe a realizar uma revisão narrativa para comparar o uso dos BACPs versus IBPs no tratamento do escape ácido noturno em quem tem DRGE. Foram analisados 6 ensaios clínicos randomizados que avaliaram tanto o alívio dos sintomas quanto a supressão ácida intragástrica, além da segurança dos tratamentos em diferentes amostras de pacientes. Os principais achados desta revisão indicam que os BACPs demonstraram uma superioridade significativa em relação aos IBPs (lansoprazol e rabeprazol). Pacientes tratados com BACPs apresentaram maiores percentuais de alívio completo dos sintomas de pirose noturna, com uma melhora mais sustentada durante a noite em comparação aos IBPs. Além disso, o vonoprazan manteve o pH ≥ 4 durante um período significativamente maior, garantindo uma supressão ácida mais eficaz à noite, o que contribui para a diminuição da sintomatologia de acordo com a fisiopatologia da doença. Esta revisão concluiu que os BACPs são eficazes no tratamento da EAN. O perfil de segurança dos BACPs é semelhante ao dos IBPs, com a maioria dos efeitos adversos sendo leves ou moderados. São necessários mais estudos que investiguem estes efeitos a longo prazo e a qualidade de vida dos pacientes tratados com BACPs.