Considerando a crescente incidência da Doença de Parkinson (DP) e a ausência de cura definitiva, bem como a complexidade de sua fisiopatologia, pesquisadores têm voltado atenção para fatores extraneurológicos que possam contribuir para sua gênese e progressão. Entre esses fatores, destaca-se a microbiota intestinal e sua interação com o sistema nervoso central, através do eixo intestino-cérebro. Objetiva-se, neste estudo, compreender a relação entre a composição da microbiota intestinal e a Doença de Parkinson, explorando possíveis mecanismos fisiopatológicos subjacentes e estratégias terapêuticas promissoras baseadas na modulação do microbioma. Para tanto, procede-se à realização de uma revisão narrativa de literatura, com abordagem qualitativa, a partir da seleção e análise crítica de estudos publicados entre 2012 e 2024, nas bases PubMed, SciELO e Google Scholar. Desse modo, observa-se que a disbiose intestinal pode desencadear processos inflamatórios e neurodegenerativos, estando associada à gravidade dos sintomas motores e não motores da DP. Além disso, intervenções terapêuticas voltadas ao reequilíbrio da microbiota demonstram potencial na redução da progressão da doença. O que permite concluir que o eixo intestino-cérebro constitui-se como uma via promissora para a compreensão e o tratamento da Doença de Parkinson, devendo ser amplamente investigado por abordagens interdisciplinares.