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Afya Itaperuna

O IMPACTO DA ESPIRITUALIDADE NA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM CUIDADOS PALIATIVOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

AUTOR(ES)

Isabella Fernandes Silva Fidelis

ORIENTADOR(ES)

Flávia Maria Ribeiro Vital

CURSO

Medicina

CATEGORIA

TCC

ANO

2025

DATA DE PUBLICAÇÃO

October 28, 2025

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Resumo

Introdução: Pacientes oncológicos em cuidados paliativos enfrentam intenso sofrimento físico, psicossocial e espiritual. Embora a espiritualidade seja um pilar deste cuidado, persiste a dúvida clínica sobre o impacto mensurável de intervenções focadas nela, dada a complexidade do tema e a escassez de sínteses de alto rigor. O objetivo desta revisão sistemática foi analisar a produção científica sobre a correlação entre intervenções espirituais e os desfechos clínicos em pacientes oncológicos paliativos. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática com busca nas bases Medline/PubMed, BVS e Cochrane. Os critérios de inclusão foram Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) que avaliaram intervenções espirituais em pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos. Os desfechos de interesse principal incluíram qualidade de vida (QoL), bem-estar espiritual e sintomas psicológicos. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada pela ferramenta Cochrane RoB 2. Resultados: A busca identificou 545 registros, resultando na inclusão final de 3 ECRs (n=519 pacientes). As intervenções analisadas (Terapia da Dignidade, Terapia Espiritual, Psicoterapia Centrada no Sentido) demonstraram impacto positivo na qualidade de vida e no bem-estar espiritual. Observou-se também melhora em sintomas existenciais específicos, como redução da desesperança (p=0,04) e do desejo de apressar a morte (p=0,04). Contudo, o efeito não foi significativo em medidas globais de sofrimento psicológico. A avaliação da qualidade metodológica evidenciou fragilidades importantes, com os três estudos classificados como de “alto risco de viés”, principalmente em função da impossibilidade de cegamento em intervenções espirituais/psicoterapêuticas, do predomínio de desfechos subjetivos de auto-relato e, em dois estudos, de taxas elevadas de perdas relacionadas à piora clínica e óbito, o que reduz a confiança nos achados. Conclusão: Conclui-se que, embora as intervenções espirituais mostrem potencial para melhorar a QoL e aliviar sintomas existenciais específicos, a evidência atual é limitada por alto risco de viés.

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