RESUMO
INTRODUÇÃO. O aumento no número de pessoas reconhecidas como refugiadas no Brasil traz consigo um grande desafio, visto que é um grupo significativamente vulnerável que demanda complexos cuidados integrais à saúde. Somado às vulnerabilidades e violências comuns a um contexto de migração forçada, mulheres refugiadas experienciam fatores agravantes, como a violência de gênero, que geram impactos críticos à sua saúde mental. A presente pesquisa identificou aspectos da saúde mental de mulheres refugiadas, com foco em compreender quais os impactos das violências pré-migratórias e pós-migratórias na saúde mental das mulheres refugiadas no Brasil. OBJETIVOS. Assim, o estudo teve como objetivo descrever as violências pré-migratórias, investigar as violências pós-migratórias e correlacionar as violências pré-migratorias e pós-migratórias com a saúde mental de mulheres refugiadas no Brasil, buscando-se, por meio disso, fomentar a prevenção dos agravos e a construção de estratégias eficazes de tratamento para essas mulheres. JUSTIFICATIVA. Dessa maneira, a pesquisa proporciona a compreensão da dimensão dos impactos das violências pré-migratórias e pós migratórias na saúde mental de mulheres refugiadas no Brasil, da prevenção de seus agravos e das estratégias de tratamento adequado para essas mulheres, de modo a fomentar o aprofundamento de estudos em relação ao tema e a subsidiar a formação de profissionais com embasamento científico e capacitação para prevenir esses agravos e aplicar essas estratégias. MATERIAIS E MÉTODOS. Realizou-se uma revisão sistemática de literatura, a partir das bases de dados SciElo e Google Acadêmico, utilizandose os descritores: refugiadas; mulheres; violência; políticas públicas; saúde mental. Foram incluídos artigos em inglês e português e excluídos materiais em outras línguas, sem relação com o tema proposto ou com dados desatualizados que comprometessem a fidedignidade do estudo. A seleção dos materiais abrangeu o período de 2009 a 2022. DISCUSSÃO/RESULTADOS. Como resultado, selecionou-se 37 publicações, onde se observou que a violência sexual é a mais comum na trajetória da mulher refugiada, repercutindo em nocivos e profundos impactos nas relações interpessoais e na saúde dessas mulheres. Além disso, constatou-se que a competência intercultural e a capacitação das 1Graduando em Medicina pela Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna. 2Graduando em Medicina pela Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna. 3Titulação. Professor orientador. Docente do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna. 5 equipes de saúde no Brasil necessitam ser aprimoradas para que haja profissionais focados na prevenção de agravos e no tratamento adequado, considerando as necessidades específicas de saúde mental das mulheres refugiadas, além da necessidade de políticas públicas padronizadas que atendam a demanda de acolhimento da mulher refugiada. CONSIDERAÇÕES FINAIS. Por fim, a pesquisa demonstrou uma necessidade de haver um modelo de assistência aos refugiados que esteja coerente com o princípio de equidade do Sistema Único de Saúde e considere o crescente ciclo migratório internacional, identificando e atendendo, de forma organizada, às suas necessidades específicas.
Palavras-chave: Mulheres refugiadas ;Saúde mental ; Violência de gênero ; Refugiados no Brasil ; Saúde do refugiado.