Objetivo: analisar e descrever o perfil clínico e epidemiológico das internações hospitalares por encefalite viral no Sistema Único de Saúde (SUS), no município de Salvador, Bahia, Brasil, entre os anos de 2020 e 2024. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, longitudinal e descritivo, com base em dados secundários extraídos do Sistema de Informação Hospitalar (SIH) do DATASUS. Foram incluídas todas as internações com códigos da CID-10 referentes à encefalite viral (A83-A86), considerando apenas pacientes residentes em Salvador. As variáveis analisadas incluíram sexo, faixa etária, número e duração das internações. Os dados foram tratados estatisticamente com os testes de Shapiro-Wilk, Levene, Mann-Whitney, Kruskal-Wallis, qui-quadrado de Yates e regressão linear, adotando-se p<0,05 como nível de significância. Foram calculados médias, desvios padrão, risco relativo (RR) e intervalos de confiança (IC95%). Resultados: Foram registradas 157 internações hospitalares por encefalite viral no período estudado. O sexo masculino representou 54,1% dos casos. A faixa etária acima de 50 anos concentrou 28% das internações e apresentou tempo médio de internação significativamente superior (45,9 dias; p < 0,001), indicando maior gravidade clínica. O tempo médio geral de internação foi de 12,6 dias. A variação temporal das internações não demonstrou tendência estatisticamente significativa ao longo dos anos (R² = 0,28; p = 0,342), embora tenham ocorrido flutuações expressivas, como o aumento de 110,5% em 2022. Conclusão: A encefalite viral em Salvador apresenta padrão epidemiológico que acomete majoritariamente idosos, com internações prolongadas. A ausência de tendência crescente sustentada sugere influência de fatores pontuais. O estudo ressalta a importância de vigilância epidemiológica contínua, diagnóstico precoce e políticas públicas voltadas à prevenção e manejo da doença, especialmente em populações vulneráveis