O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é altamente prevalente na velhice e responde por parcela expressiva da carga de doenças crônicas, impulsionado por envelhecimento populacional, transição nutricional e aumento da adiposidade. Entre idosos no Brasil, o DM2 coexiste com multimorbidade e polifarmácia, afetando funcionalidade, uso de serviços e custos em saúde. Nesse contexto, justifica-se sintetizar o perfil epidemiológico recente do DM2 em idosos no país. Descrever o perfil epidemiológico do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) em idosos (≥60 anos) no Brasil entre 2015 e 2025, sintetizando estimativas de prevalência, fatores associados e implicações assistenciais. Realizou-se revisão de literatura nas bases PubMed e SciELO (2015–2025), combinando descritores relativos a DM2, idosos e Brasil. Incluíram-se estudos observacionais com dados de prevalência ou incidência de DM/DM2, bem como estimativas autorreferidas, em amostras brasileiras de idosos. Foram extraídos local do estudo, delineamento, tamanho amostral, critério diagnóstico, medidas de frequência e principais achados. Ao final, 14 estudos foram incluídos (transversais, séries temporais e coortes). As prevalências em idosos variaram de 17% a 26%, alcançando aproximadamente 28% em 2021 nas capitais brasileiras, com tendência ascendente até 2014 e estabilização em patamar elevado desde 2015. Entre octogenários, a prevalência foi em torno de 20% (PNS 2019). Circunferência da cintura aumentada, obesidade e hipertensão associaram-se de forma consistente ao DM2 e à incidência em segmentos de cerca de quatro anos. Observou-se elevada frequência de multimorbidade e polifarmácia, e adesão terapêutica em torno de 52% em amostra comunitária. Em coorte de base populacional, o DM2 associou-se a maior mortalidade, enquanto perda ponderal não intencional indicou pior prognóstico. Análises de custos hospitalares sugeriram potencial da Atenção Primária à Saúde (APS) para reduzir internações sensíveis. O DM2 em idosos no Brasil mantém prevalência elevada, com recente estabilização em níveis preocupantes. Fatores cardiometabólicos, multimorbidade e adesão subótima sustentam a carga de doenças. Estratégias custo-efetivas incluem vigilância contínua com indicadores funcionais, simplificação terapêutica e coordenação do cuidado na APS, com priorização de subgrupos vulneráveis (≥80 anos, baixa escolaridade e adiposidade central).