A “morte” é um fenômeno complexo que faz parte do dia a dia de diversos profissionais da saúde. Para entendê-la são necessários diversos fatores, uma vez que geram impactos significativos na prática clínica. O presente estudo, de caráter qualitativo, teve como principal objeto estudar a percepção de “morte” sob a ótica biomédica nas diferentes especialidades médicas. A pesquisa foi constituída de seis médicos do município de Itaperuna-RJ, por meio de entrevistas semiestruturadas que exploravam as experiências pessoais, acadêmicas e profissionais acerca da terminalidade da vida. Foi utilizada a técnica bola de neve para selecionar os profissionais, com abordagem voltada para entender questões delicada e compreender as experiências individuais. Os resultados mostram que a morte, na maior parte dos casos, é abordada de maneira técnica pelos profissionais, sendo vista como frustração e fracasso. Também foi visto que os valores sociais, culturais e religiosos estão fundados nos médicos sob as significações associadas à morte, o que impacta na trajetória pessoal e profissional do médico, bem como durante sua formação acadêmica. Tais fatores influenciam na maneira de como os profissionais lidam com a vivência destas últimas etapas da vida dos seus pacientes. Ademais, os resultados revelam que a abordagem do cuidado paliativo, em algumas vezes é colocado em segundo plano, uma vez que a falta de preparo médico em lidar com a terminalidade acarreta em ações de prolongamento da vida, com o intuito de mitigar sentimentos como frustração e derrota. Portanto, o estudo revelou uma dificuldade dos profissionais médicos em abordar a morte, o que resulta da falta de preparação na formação acadêmica e de uma abordagem empática, fatores que refletem na comunicação e na autonomia dos pacientes no fim de vida.