Esta revisão narrativa teve como objetivo analisar as estratégias terapêuticas no manejo da sífilis congênita, com ênfase nas intervenções aplicáveis ao pré-natal. A busca foi realizada exclusivamente no PubMed/MEDLINE, no período de 1999 a 2024, combinando descritores MeSH e termos livres relacionados a “Syphilis”, “Congenital Syphilis”, “Pregnancy”, “Prenatal Care”, “Therapeutics”, “Penicillin”, “Public Health”, “Health Policy”, “Prevention”, “Prenatal Screening” e “Patient Adherence”, por meio dos operadores booleanos AND/OR. A estratégia retornou 1.464 registros. Após filtro temporal (1999–2024), permaneceram 1.084 para leitura de títulos e resumos; na plataforma Rayyan não foram identificadas duplicatas (n = 0). Em seguida, excluíram-se estudos sem texto completo gratuito (n = 455) e não classificados como ensaios clínicos randomizados (n = 618), resultando em 11 ECRs incluídos para síntese qualitativa. A análise evidenciou que a penicilina benzatina segue como padrão-ouro para prevenção da transmissão vertical, com impacto consistente quando associada a diagnóstico oportuno e início imediato do tratamento. Programas que incorporam testes rápidos e, quando disponíveis, testes duplos (HIV/sífilis) no ponto de cuidado (point-of-care) aumentam a cobertura terapêutica e reduzem atrasos. Estratégias que engajam parceiros diminuem a reinfecção materna e melhoram desfechos perinatais, enquanto intervenções multifacetadas (suprimentos, capacitação, auditorias) fortalecem a execução no nível do serviço. Alternativas farmacológicas avaliadas (p. ex., doxiciclina, linezolida) não substituem a penicilina na gestação. Conclui-se que a eliminação da sífilis congênita requer abordagem integrada: rastreamento precoce, penicilina disponível, tratamento de parceiros e organização do cuidado pré-natal com seguimento ativo.