Introdução: A resistência bacteriana aos antibióticos é um grande problema de saúde pública atualmente. O crescimento dessa resistência se deve à utilização inadequada desses medicamentos, fazendo com que bactérias que antes eram sensíveis à determinados agentes antimicrobianos deixassem de responder. Objetivos: Analisar o uso indiscriminado de antibióticos e o conhecimento sobre resistência bacteriana entre os estudantes de medicina do Estado do Rio de Janeiro. Material e métodos: Trata-se de um estudo transversal, realizado com estudantes de medicina do primeiro ao décimo segundo período por meio de um questionário online distribuído por mídias sociais. Resultados: Foram entrevistados 160 estudantes, em que 46,87% já comprou antibióticos sem a receita médica e 39,37% refere fazer o uso de antimicrobianos sem prescrição médica. Em relação à posologia, 1,87% refere não obedecer a dosagem prescrita, 16,87% não respeita o intervalo de tempo recomendado pelo médico entre as medicações e 23,75% relata não cumprir a quantidade de dias orientados para o tratamento. 15% dos entrevistados informa cessar o tratamento quando os sintomas desaparecem, e destes, 17,5% infere utilizar os comprimidos que sobraram em novos episódios, sem orientação médica. Da totalidade dos participantes, 99,37% afirma saber o que é resistência bacteriana e 98,75% diz ter conhecimento sobre o uso inadequado de antimicrobianos interferir na resistência bacteriana. 27,5% dos entrevistados inferem maior segurança no uso indiscriminado de antibióticos por pertencerem à área da saúde, ou seja, por conhecerem melhor o assunto. Dos entrevistados, em relação ao sexo, 38,21% das mulheres infere fazer o uso de antimicrobianos indiscriminadamente, sendo mais frequente esse uso entre o sexo masculino, com 43,24% dos homens. 99,19% das mulheres e 94,59% dos homens relatam respeitar a dose prescrita. Conclusões: O uso indiscriminado de antimicrobianos é um problema de saúde pública, já que resulta em resistência bacteriana, afetando a eficácia de tratamentos e fomentando a propagação de bactérias multirresistentes. Esta prática é frequente entre estudantes da área da saúde, por maior facilidade no acesso e por presumirem conhecimento sobre o assunto. Grande parte dos entrevistados ratifica essa prática, quando deveriam ser os grandes incentivadores da interrupção. É necessário maior disseminação sobre os riscos e consequências desta prática nos cursos da área da saúde, para que estes estudantes tenham ciência da repercussão, utilizando corretamente.