RESUMO
Introdução: A violência física infantil intradomiciliar vem sendo um crescente e relevante problema de saúde pública para todos os países, mesmo aqueles com altos índices de desenvolvimento. Contudo, nota-se ainda demasiada deficiência no que se diz respeito a análises e estudos acerca de como o profissional médico deve proceder nestes casos e de como é realizado o processo notificatório sobre este tema. Objetivo: Descrever os casos de violência física infantil doméstica e os desafios encontrados pela equipe médica em um município do sudoeste baiano, antes e durante a pandemia de covid-19 nos períodos de 2018 a 2021. Método: O presente estudo apresenta caráter transversal, quantitativo, retrospectivo e documental, através da análise de informações de prontuários manuais e do Prontuário Eletrônico do Cidadão PEC/SUS nas Unidades Básicas de Saúde e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em um município do Sudoeste baiano. Os participantes do estudo foram pacientes vítimas de violência infantil doméstica, que se adequaram aos critérios de inclusão, entre os períodos de 2018 a 2021, registrados em prontuários eletrônicos PEC/SUS, com posterior análise estatística e descritiva dos dados. Resultados: Os dados evidenciam ao todo (n= 8 casos) de violência física infantil doméstica nas UBSs e UPA, sendo destes (n=5 casos) nas UBSs e (n=3 casos) na UPA registrados nos períodos de 2018 a 2021, com maior pico de ocorrência em 2021. A maioria das crianças era do sexo feminino nas UBSs (n=5 casos), sendo na UPA a predominância também do mesmo sexo (n=2 casos), ao qual a idade de maior acometimento estava entre a faixa de 9 e 11 anos (n=3 casos) nas UBS e entre 1 a 6 anos (n=3 casos) na UPA, ademais, predominou a violência sexual nas UBSs (n=4 casos) e física na UPA (n=2 casos). Os principais agressores foram de familiares não identificados (2 casos) e também relacionados a outros familiares (n=2 casos) com igual valor tanto nas UBSs como na UPA aos quais nestes dois quesitos anteriores não estavam inclusos os pais, mães, padrastos e madrastas. Conclusão: Os achados evidenciaram lacunas no preenchimento das informações no sistema de notificação, bem como nos registros realizados em prontuários, além de ter sido constatada a necessidade de capacitação dos profissionais médicos em como proceder nesses casos e em como realizar o seguimento de forma longitudinal dessas crianças.
Palavras Chave: COVID-19; Infantil; Violência Física.
ARAÚJO, Joice Santos de; FAGUNDES, Priscila Carine Leite. Violência Física Infantil Doméstica: descrição dos casos e os desafios encontrados pela equipe médica em um município do Sudoeste Baiano antes e durante a Pandemia de COVID-19. Orientador: Jany Rodrigues Prado. Trabalho de conclusão de curso (Bacharel em Medicina) — Faculdades Integradas Padrão- FIPGuanambi,2022. 19 f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharel em Medicina) — Faculdades Integradas Padrão - FIPGuanambi/Afya, Guanambi, 2022.