Notícias
Noticias

Festas de Agosto: entre tambores e cuidados, preservar a cultura também é cuidar do futuro

Compartilhe

Preservar a saúde das pessoas e preservar a cultura são formas diferentes de cuidar do futuro. Neste sentido, Montes Claros se pinta de fitas coloridas, vestimentas tradicionais e do som dos tambores de grupos folclóricos que ocupam as ruas para celebrar uma das manifestações culturais mais marcantes do Norte de Minas: as Festas de Agosto.

Na Afya Montes Claros, essa tradição também encontra espaço entre professores, acadêmicos e famílias que carregam a cultura catrumana como parte de suas próprias histórias. É o caso da médica pediatra Vanessa Teixeira e de sua filha, Giovanna Teixeira, acadêmica do 11º período de Medicina. Para as duas, participar das festas representa mais do que manter uma tradição: significa preservar vínculos, memórias e uma forma de compreender a própria comunidade.

Uma tradição que atravessa gerações

A relação de Vanessa com as Festas de Agosto começou ainda na infância, dentro da família. Avós, tios e outros familiares participaram de diferentes momentos da celebração, ocupando funções como festeiros, reis, rainhas, príncipes e princesas.

Depois de se tornar mãe, essa relação ganhou novos significados. “Desde que me tornei mãe, eu vi a importância das Festas de Agosto, primeiro por ser uma tradição da nossa família. Meus avós já estavam envolvidos com a festa, meu tio, que é padre, foi padre catopê por muitos anos e foi rei. Outros tios foram rainhas, príncipes e princesas”, comenta.  

Vanessa também assumiu, ao lado do esposo e da família, a responsabilidade de ser festeira em duas edições. As próprias filhas participaram da celebração como rainhas: uma delas já formada e a outra, Giovanna, atualmente em formação na Afya Montes Claros.

Para a médica, a experiência de crescer em contato com a cultura contribui para uma formação que considera o indivíduo para além de suas necessidades imediatas.

Eu vejo que minhas filhas dão importância para a cultura como um todo, como médicas conseguem enxergar o ser humano de forma integral e tiveram isso desde pequenas. A gente procura manter essa tradição”, comenta.  

A preparação para a festa também se transforma em um momento coletivo. Da escolha e confecção das roupas aos ensaios e cortejos, diferentes gerações da família participam do processo.

“É muito bonito ver a festa, porque preservar a cultura da nossa cidade é preservar a nossa história, a nossa saúde e garantir o futuro das nossas crianças e da população de forma geral.”

Uma memória que acompanha a formação médica

Para Giovanna, a relação com as Festas de Agosto começou ainda na infância. Em 2010, aos sete anos, ela participou pela primeira vez do cortejo de Nossa Senhora do Rosário como rainha. O vestido utilizado naquela ocasião permanece guardado como lembrança de uma experiência que atravessou sua infância e permanece presente em sua trajetória.

“Quando eu tinha 7 anos, em 2010, fui rainha pela primeira vez no cortejo de Nossa Senhora do Rosário. Este foi o meu vestido.”

A participação envolveu colegas da escola, primos e outros familiares, transformando a festa em uma experiência coletiva e profundamente familiar.

Com o passar dos anos, entretanto, Giovanna passou a enxergar aquela vivência também a partir de sua formação profissional. Como futura médica, ela relaciona o conhecimento da cultura local à própria maneira de compreender e cuidar das pessoas.

“Conhecer a cultura também nos ajuda a conhecer melhor a pessoa que está à nossa frente. Como futura médica, acredito que precisamos conhecer a história do paciente para tratá-lo como um todo, e não apenas olhar para a doença.”

A perspectiva dialoga com um princípio cada vez mais presente na formação em saúde: compreender o paciente considerando não apenas sintomas e diagnósticos, mas também sua história, seu contexto social, seus vínculos e o território onde vive.

Para Giovanna, as Festas de Agosto também representam uma espécie de arquivo afetivo familiar. “Tenho guardado todos os desfiles de que participei e lembro da escolha dos vestidos e de toda a preparação. Ter essa tradição como parte da minha história torna tudo ainda mais especial, e espero um dia poder passar essa história para a minha própria família.”

Sobre os festejos

As Festas de Agosto integram o calendário cultural de Montes Claros e reúnem manifestações tradicionais como os Catopês, Marujos e Caboclinhos, que percorrem as ruas da cidade ao som de tambores, caixas e outros instrumentos.

A celebração possui forte dimensão religiosa e cultural e é marcada por cortejos, levantamento de mastros, missas e encontros entre grupos e comunidades. Assim, a festa representa uma manifestação de memória coletiva, transmitida entre gerações e incorporada à identidade cultural de Montes Claros.

É nesse encontro entre passado e futuro que a tradição permanece viva: quando uma criança veste pela primeira vez uma roupa de festa, quando uma família se reúne para preparar um cortejo ou quando um futuro profissional de saúde aprende, ainda jovem, que conhecer a pessoa também significa conhecer a história que ela carrega.

Na Afya Montes Claros, histórias como a de Vanessa e Giovanna mostram que formar profissionais também pode significar reconhecer os territórios, as culturas e as experiências que ajudam a construir quem somos.